Informação sobre sífilis, causas, sintomas e tratamento da sífilis, abordando a sífilis primária, secundária, terciária e sífilis congênita.


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Sífilis primária

Geralmente, o primeiro sinal de sífilis geralmente aparece 2 a 10 semanas após a exposição à infecção. Uma ferida oval vermelha desenvolve-se no local onde as bactérias entraram no corpo. A lesão geralmente parece limpa, e não tem pus, e muitas vezes é indolor, podendo evoluir para uma úlcera que secreta muco claro quando pressionada.

A maioria das feridas ovais avermelhadas aparecem no pênis, ânus e reto  em homens, e na vulva, cerviz, e entre a vagina e o ânus (períneo) nas mulheres. Menos comumente, estas formam-se nos lábios, mãos ou olhos. Feridas na vagina e no reto podem passar despercebidas, a menos que sejam vistas por um médico. Também é comum aparecer inchaço e endurecimento dos gânglios linfáticos na parte interna das coxas e virilha, que podem causar sensibilidade. As lesões geralmente curam sem tratamento no prazo de 6 semanas.

Dados históricos sobre Sífilis

A sífilis é quase sempre transmitida através do contato sexual. A sífilis também pode ser passada de uma mãe infectada para o bebé durante a gravidez.

A sífilis pode ser evitada através de práticas sexuais mais seguras, com recurso ao uso de preservativos durante a relação sexual. As feridas associadas à sífilis feridas têm de ser cobertas com um curativo para manter que a infecção não se espalhe.
A história da origem da sífilis confunde-se com a história da civilização moderna e é marcada por controvérsias que persistem há mais de meio século.
A teoria do Novo Mundo sustenta que a doença era endêmica nas Américas e foi introduzida na Europa pelos marinheiros de Colombo; a teoria do Velho Mundo se apóia na tese de que as treponematoses já existiam em terras européias e eram causadas por um único microrganismo, mas, que foram sofrendo variações com os anos de modo a adquirirem características que aumentaram sua virulência, permitindo a transmissão sexual e acarretaram epidemias. A primeira epidemia de sífilis relatada na história ocorreu na Europa e data do final do século XV, até então a doença era desconhecida.
O termo lues venérea ou simplesmente lues, cujo significado em latim é algo como peste, epidemia, surgiu no século XVI, em 1579, idealizado por Jean Fernel. Também denominado como mal gálico, mal venéreo, bubas e pudendraga, o nome sífilis surge em 1530, em um poema escrito por Girolamo Fracastoro de Verona, intitulado Syphilis sive morbus gallicus, contudo, sífilis como definição de um quadro patológico, começou a ser usado somente no final do século XVIII.
Os primeiros relatos médicos da doença surgiram em 1495, na Batalha de Fornovo. Marcellus Cumano e Alexandri Benedetto, médicos venezianos que serviam no front, relataram aspectos clínicos da doença em soldados que apresentavam lesões semelhantes a grãos de milho na glande e prepúcio, pústulas por todo o corpo, seguidas de dores terríveis em braços e pernas que deixavam os soldados desesperados. O sofrimento causado pela moléstia era mais repugnante que a lepra ou elefantíase, segundo consta em anotações de Benedetto.
O agente etiológico da sífilis, a espiroqueta Treponema pallidum, assim denominada devido à dificuldade de se corar com as técnicas existentes na época, foi descoberto em 1905 por Fritz Richard Schaudinnn e Paul Erich Hoffmann na Alemanha. Em 1907, Wassermann desenvolveu o primeiro exame sorológico efetivo para a detecção da sífilis.

Epidemiologia da Sífilis

A OMS estima em 340 milhões o número de casos novos de DST curáveis (sífilis, gonorréia, clamídia, tricomoníase).
Os dados da prevalência nos trópicos mostram que a sífilis, conforme a região, é a segunda ou terceira causa de úlcera genital (outras são o cancro mole e herpes genital). Houve recrudescimento da sífilis na Irlanda, Alemanha e cidades americanas, como San Francisco e Los Angeles, em grupos com comportamento de risco, como homens que fazem sexo com homens (HSH) e profissionais do sexo.
Nos Estados Unidos, em 2004 houve aumento de 11,2% dos casos de sífilis primária, que passaram de 7.177 em 2003 para 7.980.
Em relação à sífilis congênita, os dados obtidos em programas de pré-natal e maternidades mostraram soroprevalências elevadas, principalmente em países africanos.
No Brasil, em 2003, estimaram-se 843.300 casos de sífilis. Não sendo doença de notificação compulsória, os estudos epidemiológicos são realizados em serviços que atendem DST ou grupos selecionados, como gestantes, soldados, prisioneiros, etc.
Os casos registrados de sífilis congênita entre 1998 e 2004 totalizaram 24.448.

Sífilis é uma DST

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pelo Treponema pallidum. A sifílis pode ser tratada com antibióticos padrão, mas na ausência de terapia, dá origem a estágios clínicos sequenciais. Nos estágios iniciais, a infecção é altamente transmissível e, muitas vezes apresenta-se como lesões ulcerativas genitais ou como uma erupção cutânea. A infecciosidade diminui através de um longo período de latência, que pode ser seguida por complicações graves, incluindo doença cardiovascular e neurológica. Sífilis pode ser transmitida durante a gravidez para o feto em desenvolvimento e frequentemente provoca aborto, natimorto, morte neonatal ou consequências graves, como surdez, cegueira e retardos mentais


Agente etiológico da sífilis

O agente etiológico da sífilis foi descoberto por Fritz Richard Schaudinn e Paul Erich Hoffman em 1905, ao trabalharem em Berlim. Por não ser facilmente corado pelas técnicas em uso à época, a espiroqueta em tela foi denominada Spirochaeta pallida. O achado foi confirmado por Karl Landsteiner, que visualizou o microrganismo pela técnica de microscopia de campo escuro, por ele desenvolvida em 1906. Neste mesmo ano a denominação Treponema pallidum já estava vigorando, com a demonstração feita por Reuter da presença do agente na parede da artéria aorta de um indivíduo acometido pela sífilis.
O Treponema pallidum sub-espécie pallidum é um dos quatro patógenos do gênero Treponema que causam doenças em seres humanos. Grande parte do conhecimento sobre ele advém da manutenção da cepa Nichols em coelhos de laboratório, desde 1912.
A transmissão do agente se dá de pessoa a pessoa, durante o contato sexual, na maior parte dos casos. A transmissão por contato com lesões mucocutâneas ricas em treponemas pode ocorrer, sendo particularmente importante nos recém-nascidos que necessitam de manipulação freqüente. A transmissão pode ocorrer, também, através da transfusão de sangue contaminado, pela via transplacentária para o feto e pela contaminação do último no canal de parto. A transmissão ocupacional é rara. O risco de transmissão por parceiro sexual foi estimado em 60%. Todos os seres humanos são susceptíveis ao T.pallidum, porém apenas cerca de 30% das exposições terminam em doença. A infecção leva ao desenvolvimento gradual de imunidade contra esse agente. Os casos tratados na fase aguda (sífilis primária ou secundária) não gerarão imunidade, sendo casos susceptíveis à reinfecção.

Manifestações clinicas da sífilis

Sífilis tem várias manifestações clínicas, sendo este um aspecto muito importante de diagnóstico ao fazer testes de laboratório. Na América do Norte, muitos casos insuspeitos são descobertos por testes laboratoriais. O agente etiológico, Treponema pallidum, não pode ser cultivado, e não existe nenhum teste ótimo como alternativa única. Teste sorológico é a abordagem mais frequentemente utilizada no diagnóstico laboratorial da sífilis. Existem diversos trabalhos que discutem os vários testes sorológicos e alternativas atualmente disponíveis, juntamente com as suas limitações, e relacionam os seus resultados para o estágio clínico provável. que correspondente à doença. A necessidade de utilizar vários testes é discutida, bem como a importância do controle de qualidade. A complexidade da sífilis sorologia significa que os serviços de laboratórios de referência e especialistas clínicos são muitas vezes necessários.


Sífilis

A sífilis é doença infecto-contagiosa, transmitida pela via sexual e verticalmente durante a gestação. Caracteriza-se por períodos de atividade e latência; pelo acometimento sistêmico disseminado e pela evolução para complicações graves em parte dos pacientes que não trataram ou que foram tratados inadequadamente. É conhecida desde o século XV, e seu estudo ocupou todas as especialidades médicas e, de modo especial, a dermatologia.
Seu agente etiológico, oTreponema pallidum, nunca foi cultivado e, apesar de descrito há mais de 100 anos e sendo tratado desde 1943 pela penicilina, sua droga mais eficaz, continua como um problema de saúde importante em países desenvolvidos ou subdesenvolvidos. Dadas as características da forma de transmissão, a doença acompanhou as mudanças comportamentais da sociedade e nos últimos anos tornou-se mais  importante ainda devido à possibilidade de aumentar o risco de transmissão da síndrome de imunodeficiência adquirida.
Novos testes laboratoriais e medidas de controle principalmente voltadas para o tratamento adequado do paciente e parceiro, uso de preservativo, informação à população fazem parte das medidas adotadas para controle da sífilis pelos responsáveis por programas de saúde.

Existem três fases da sífilis

A primeira fase (primária) – Nesta fase, a sífilis é altamente contagiosa. A fase primária pode durar de uma a cinco semanas. A doença pode ser transmitida através de qualquer contato com uma das úlceras, que ficam cheias de espiroquetas. Se a úlcera estiver fora da vagina ou no escroto, a utilização do preservativo não pode ajudar na prevenção da transmissão. Da mesma forma, se a úlcera estiver na boca, meramente beijando o indivíduo infectado pode espalhar sífilis. Mesmo sem tratamento, a infecção precoce resolve por conta própria na maioria das mulheres.

O segundo estágio (secundário) -  25 por cento dos casos de sífilis avançam para o estágio secundário da sífilis, que dura de quatro a seis semanas. Esta fase pode incluir a queda de cabelo, uma dor de garganta, manchas brancas no nariz, boca e vagina, febre, dores de cabeça e uma erupção cutânea. Pode haver lesões nos órgãos genitais que se pareçam com verrugas genitais, mas que são causadas por espiroquetas, em vez do vírus da verruga. Estas lesões semelhantes a verrugas, bem como as erupções cutâneas, são altamente contagiosas. A erupção pode ocorrer nas palmas das mãos, e a infecção pode ser transmitida por contato casual.

A terceira fase (terciária): Esta fase final da doença envolve o cérebro e o coração e normalmente não é contagiosa. Nesta altura, no entanto, a infecção pode causar danos nos órgãos internos e cérebro, e pode levar à morte.


Sintomas da sífilis terciária

Os pacientes podem ficar de um até vários anos, inclusive décadas, assintomáticos antes de um novo retorno da sífilis. A forma terciária é a mais grave. A sífilis terciária apresenta 3 tipos de manifestações:
  1. Goma sifilítica = grandes lesões ulceradas que podem acometer pele, ossos e órgãos internos;
  2. Sífilis cardiovascular = acometimento da artéria aorta, causando aneurismas e lesões da válvula aórtica.
  3. Neurosífilis = acomete o sistema nervoso, lavando à demência, meningite, AVC e problemas motores por lesão da medula e dos nervos.

Sintomas da sífilis secundária

Algumas semanas ou meses após o desaparecimento do cancro duro, a sífilis retorna, agora disseminada pelo organismo. Essa forma de sífilis se manifesta com erupções na pele, classicamente nas palmas das mãos e solas dos pés. Também são comuns febre, mal estar, perda do apetite, dor nas articulações, queda de cabelo, lesões oculares e aumento dos linfonodos difusamente pelo corpo. As lesões nas solas dos pés, palmas das mãos e mucosa oral são características, mas as erupções de pele podem ocorrem em qualquer local do corpo. Uma outra lesão típica da sífilis secundária é o chamado condiloma lata, uma lesão úmida, com aspecto de uma grande verruga, que surge geralmente próximo do local onde existiu a lesão do cancro duro na sífilis primária. Há casos, porém, em que a sífilis secundária apresenta poucos sintomas, fazendo com que o paciente não dê muita importância ao seu quadro. Cerca de 20% dos pacientes com sífilis secundária não consideram seus sintomas incômodos o bastante para procurarem ajuda médica. Assim como ocorre na sífilis primária, os sintomas da sífilis secundária desaparecem espontaneamente, sem qualquer tratamento.


Fases da sífilis

A sífilis pode apresentar diversas fases, pelo que apresentamos neste artigo, os estágios principais.

Estágio primário da sífilis
• Um ou mais caroços duros (geralmente firme, redondo, pequeno e indolor) aparecem no local da infeção (na maioria das vezes na área genital) de 10 a 90 dias após a infecção.
• Os caroços desaparecem por si em 3 a 6 semanas.
• O paciente é altamente infecioso na fase primária.

Estágio secundário
• As erupções ocorrem quando os caroços desaparecem, ou algumas semanas após a cura dos caroços.
• Erupções cutâneas normalmente aparecem nas palmas das mãos, solas dos pés, ou no rosto, mas também podem aparecer em outras áreas do corpo.
• Por vezes, "crescimentos" tipo verrugas podem aparecer na área genital.
• Erupções cutâneas e verrugas sifilíticas tendem a desaparecer por si dentro de 2 a 6 semanas, mas pode demorar até 12 semanas.
• O paciente é altamente infecioso durante este estágio secundário.

Fase latente
• Paciente é soro-reativp durante um ano desde início da infeção, mas não tem sintomas.
• O paciente é potencialmente infecioso.

Fase latente tardia
• Paciente é soro-reativo mais de 1 ano após o início da infeção, mas não tem sintomas.
• Paciente não é infecioso em fase latente tardia.

Estágio terciário
• Existem lesões na pele e ossos (gomas), órgãos internos, sistema nervoso central e sistema cardiovascular.
• Os sinais e sintomas da fase tardia da sífilis incluem dificuldade de coordenar os movimentos musculares, paralisia, dormência, cegueira gradual e demência. Este dano pode ser grave o suficiente para causar a morte.
• O paciente não é infecioso em fase tardia 

Sífilis congênita 
• A gravidade varia de assintomática a fatal.
• Manifestações precoces mais comuns são o aborto espontâneo, morte fetal, encefalite, erupção cutânea generalizada, rinite, disfunção hepática e falência de múltiplos órgãos.
• Manifestações tardias, geralmente não aparentes no nascimento, incluem osteíte dos ossos longos, malformações maxilo-faciais e dentárias, ceratite, perda auditiva neurossensorial, e déficites neuropsicológicos crônicos.

Acompanhamento de pacientes que tiveram sífilis

O acompanhamento dos pacientes com sífilis precoce que foram tratados, deve ser baseado em serviços médicos e recursos disponíveis. O quadro clínico dos pacientes deve ser avaliado e deve-se tentar detetar a reinfeção durante o primeiro ano após a terapia.
Pacientes com sífilis precoce que foram tratados com doses e preparações apropriadas de benzilpenicilina benzatina devem ser avaliados clinicamente e sorologicamente, utilizando um teste não-treponêmico, depois de três meses, para avaliar os resultados da terapia. Uma segunda avaliação deve ser realizada depois de seis meses e, em função deste resultados, pode haver necessidade de uma nova avaliação, 12 meses depois para verificar a condição do paciente e detetar possível re-infeção.
Em todas as fases da doença, a repetição do tratamento deve ser considerado quando: 
- Existirem sinais clínicos ou sintomas de sífilis ativa persistente ou recorrente;
- Existir um aumento confirmado através de teste não-treponêmico.

O exame do líquor deve ser realizado antes da repetição do tratamento, a menos que possa ser confirmada a reinfeção e o diagnóstico de sífilis precoce. Os pacientes devem ser re-tratados, mantendo os horários definidos para a sífilis de duração superior a dois anos. Em geral, apenas um curso de re-tratamento é indicado, pois os pacientes tratados de forma adequada, muitas vezes mantêm de modo estável os níveis baixos verificados em testes não-treponêmicos,. 
Todos os pacientes com sífilis devem ser encorajados a submeter-se a testes para a infeção pelo HIV, devido à alta frequência de infeção dupla e suas implicações para a avaliação clínica e sua gestão. Neurosífilis deve ser considerada no diagnóstico diferencial de doença neurológica em indivíduos infetados pelo HIV. Em casos de sífilis congênita, a mãe deve ser encorajada a submeter-se a testes para HIV; e se o seu teste for positivo, a criança deve ser encaminhada para acompanhamento.
Terapia recomendada para a sífilis em pacientes infetados pelo HIV não é diferente da que é utilizada em pacientes não infetados com o HIV, no entanto, algumas autoridades aconselham o exame do líquor e/ou um tratamento mais intensivo com um adequado regime para todos os pacientes com dupla infeção por T. pallidum e HIV, independentemente do estágio clínico da sífilis. Em todos os casos, um acompanhamento cuidadoso é necessário para garantir a adequação do tratamento.

Conhecer a sífilis congênita

A sífilis congênita é dividida em precoce (primeiros dois anos de vida) e tardia (torna-se evidente mais tarde ao longo da vida).
Prevenção da sífilis congênita é viável. Os programas devem implementar estratégias eficazes de triagem para sífilis em mulheres grávidas. Triagem para sífilis devem ser realizadas na primeira visita pré-natal. Alguns programas encontram beneficio na repetição dos testes com 28 semanas de gravidez, e no momento do parto, em populações com alta incidência de sífilis congênita.
A sífilis congênita pode ocorrer se a gestante tiver sífilis, mas o risco é mínimo, se ela for medicada com penicilina durante a gravidez. Todos os filhos de mães soropositivas devem ser examinados no nascimento e em intervalos mensais durante três meses até que seja confirmado através de testes sorológicos que permanecem negativos. Qualquer anticorpo transmitido pela mãe para o bebê geralmente desaparece dentro de três meses após o nascimento. Quando disponível, a sorologia IgM podem auxiliar no diagnóstico. Todos os recém-nascidos de mães seropositivas devem ser tratados com uma dose única intramuscular de benzilpenicilina benzatina, de 50 000 UI/kg, tanto nos casos de mães que foram tratadas durante a gravidez, como no caso de mães que não foram tratadas durante a gravidez (com ou sem penicilina). A hospitalização é recomendada para todos os bebês sintomáticos nascidos de mães soropositivas.
Lactentes sintomáticos e assintomáticos com soro e fluido cerebrospinal anormal (até dois anos de idade) devem ser tratados de igual modo como a sífilis congénita inicial.
Sífilis congênita precoce geralmente responde bem (clínica e sorologicamente) a doses adequadas de penicilina. A recuperação pode ser lenta em crianças gravemente doentes com envolvimento extenso da pele, mucosas, ossos ou envolvimento visceral. Aqueles que estão com pobre condição nutricional podem sucumbir a infeções concomitantes, como a pneumonia.

Conhecendo a sífilis

A sífilis é uma doença sistêmica desde o início, sendo causada pela espiroqueta Treponema pallidum (T. pallidum). A infeção pode ser classificada como congênita (transmitida de mãe para filho no útero) ou adquirida (por via sexual ou transfusão de sangue). 
Sífilis adquirida é dividida em sífilis precoce e tardia. Sífilis inicial abrange as fases latentes primária, secundária e precoce. A sífilis tardia refere-se a sífilis latentes tardias, sífilis gomosas, neurológicas e cardiovasculares.
Sífilis primária é caracterizada por uma úlcera ou cancro no local de infeção ou inoculação. Manifestações da sífilis secundária incluem irritação da pele, condilomas de modo lato, lesões mucocutâneas e linfadenopatia generalizada. 
Como o próprio nome indica, a sífilis latente não tem manifestações clínicas. Sífilis latente precoce é a infeção de duração inferior a dois anos. Uma infeção de duração superior a dois anos, sem evidência clínica de infeção treponema, é conhecida como sífilis latente tardia. A Organização Mundial de Saúde baseou esta divisão no contágio da sífilis, e na sua resposta à terapia. Os estágios iniciais são mais infeciosos, mas respondem melhor ao tratamento.
Na fase inicial da sífilis primária, os testes cardiolipin/não-treponêmicos, efetuados em laboratório de investigação de doenças venéreas (VDRL), reagina plasmática rápida (RPR), e testes rápidos Reagina plasma (RPR) podem ser negativos, e devem por isso, não ser interpretados como ausência de infeção por sífilis.

Sintomas da sífilis primária

O período de incubação na sífilis primária, ou seja, o intervalo de tempo entre o contágio e os primeiros sintomas da sífilis primária, é em média de 2 a 3 semanas.
Todavia, há casos em que este intervalo pode ser tão curto quanto três dias ou tão longo quanto três meses. A lesão da sífilis primária é uma pápula (uma pequena elevação na pele) nos órgãos genitais que em poucas horas se transforma em uma úlcera não dolorosa. Nas mulheres esta lesão pode passar despercebida, uma vez que é pequena (em média 1 cm de diâmetro), indolor e costuma ficar escondida entre os pelos pubianos ou dentro da vagina. Não há outros sintomas associados à lesão da sífilis primária; o paciente apresenta no máximo aumento dos linfonodos da virilha (ínguas). Em alguns casos a úlcera pode surgir na boca ou na faringe, caso a transmissão tenha se dado através do sexo oral. A úlcera da sífilis recebe o nome de cancro duro e após 3 a 6 semanas desaparece mesmo sem tratamento, levando à falsa impressão de cura espontânea. Portanto, a sífilis inicialmente é uma doença indolor, que costuma frequentemente passar despercebida e que parece desaparecer espontaneamente após algum tempo. O problema é que o desaparecimento do cancro duro não significa cura, pelo contrário, a bactéria agora está se multiplicando e se espalhando pelo organismo silenciosamente.

Dados históricos sobre Sífilis

A sífilis é conhecida no mundo pelo menos desde o século XV. Registros apontam que a primeira epidemia se deu em 1495 e atingiu o exército de Carlos VII, da França. Estima-se que a doença tenha chegado ao continente americano junto com os conquistadores europeus. No Brasil, de acordo com o sociólogo Gilberto Freyre, no livro Casa Grande e Senzala, a sífilis já era conhecida no período colonial: “A contaminação da sífilis em massa ocorreria nas senzalas. Não que o negro já viesse contaminado. Foram os senhores das casas grandes que contaminaram as negras. Por muito tempo, dominou no Brasil a crença de que para um sifilítico não há melhor depurativo que uma negrinha virgem”. Alvo de estigmas desde a sua origem, a doença foi associada às prostitutas e tratada como um “carma” com prazo de validade – já que se imaginava que ela atingiria até sete gerações da vítima, antes de desaparecer. Seu agente causador, o Treponema pallidum, foi descoberto em 1905, pelos microbiologistas alemães Fritz Richard Schaudinn e Paul Erich Hoffmann. No ano seguinte, o bacteriologista alemão August Paul von Wassermann desenvolveu a primeira sorologia para sífilis, que permitiu o diagnóstico antes do aparecimento dos sintomas da doença. A busca por um tratamento efetivo continuaria, no entanto, até Alexander Fleming descobrir a penicilina, em 1928, cujo uso como fármaco foi disseminado depois da Segunda Guerra Mundial.

Transmissão da Sífilis

A sífilis é causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. A transmissão ocorre, na imensa maioria dos casos, pela via sexual e se dá pela penetração da bactéria através de microscópicas feridas ou abrasões na mucosa da vagina ou do pênis. Estima-se que o risco de contágio em cada relação sexual desprotegida com parceiro infectado seja de aproximadamente 30%. Se houver feridas ou inflamações na vagina/pênis, este risco é ainda maior. Os pacientes que transmitem sífilis são aqueles que apresentam a doença na fase primária ou secundária, principalmente se houver lesões ativas nos órgãos sexuais. Apesar de não ser 100% efetiva, a camisinha ainda é o melhor método para prevenir a transmissão por via sexual da sífilis. Nas fases mais avançadas da doença, a sífilis pode ser transmitida por beijos e até pelo toque se houver lesões na pele ou na boca. A transmissão da sífilis por transfusão de sangue é muito rara uma vez que o Treponema pallidum não sobrevive por mais de 48h no sangue estocado. Existe também a sífilis congênita que é aquela adquirida pelo feto quando a mãe encontra-se contaminada pelo Treponema pallidum durante a gestação.

Progressão e sintomas da sífilis

A Sífilis se não tratada, progride tornando-se crônica e com manifestações sistêmicas, isto é, comprometendo várias partes do corpo. Sua progressão, de acordo com o grau de comprometimento do corpo, ao longo do tempo, foi dividida em estágios (primária, secundária e terciária). As duas primeiras fases são as de características mais marcantes de infecção, quando se observam mais sintomas e é mais transmissível, após o que se observa um longo período latente, quando a pessoa não sente nada, apresentando uma aparente cura das lesões iniciais, mesmo em indivíduos não tratados. Passada esta fase inicial, a capacidade de transmissão diminue. Após alguns anos, podem surgir manifestações da doença no coração, cérebro e, virtualmente, em qualquer órgão do corpo.

Prevenção e controle da Sífilis

A transmissão sexual pode ser prevenida através do uso de preservativos.
A transmissão vertical pode ser prevenida através do rastreada durante o pré-natal das gestantes, que devem ser tratadas assim que estabelecido o diagnóstico.
As lesões iniciais são contagiosas e devem ser examinadas com luvas.
Em Saúde o objetivo do controle da sífilis é a interrupção da cadeia de transmissão e a prevenção de novos casos,
Evitar a transmissão da doença consiste na detecção (Exames) e no tratamento precoce e adequado do paciente e do parceiro, ou parceiros. Na detecção de casos, a introdução do teste rápido em parceiros de pacientes ou de gestantes poderá ser muito importante. O tratamento adequado consiste no emprego da penicilina como primeira escolha e nas doses adequadas. Em situações especiais, como aumento localizado do número de casos, o tratamento profilático poderá ser avaliado.
A prevenção de novos casos deverá ter como estratégia a informação para a população geral e, especialmente, para as populações mais vulneráveis (prostitutas, usuários de drogas intravenosas, etc.) sobre a doença e as formas de evitá-la. É importante o aconselhamento ao paciente procurando mostrar a necessidade da comunicação ao parceiro e o estímulo ao uso dos preservativos na relação sexual. A reciclagem constante e continuada das equipes de saúde integra esse conjunto de medidas para prevenção e controle da sífilis. As estratégias de prevenção da sífilis, tem como objetivo salvaguardar a Saúde da Mulher e do Homem.

Tratamento da Sífilis

A sífilis é uma doença que tem cura, é só procurar a assistência médica.
Apesar da raridade de estudos controlados e randomizados, as cinco décadas de experiência com a penicilina confirmam a sua absoluta superioridade no tratamento tanto da sífilis adquirida, em suas várias fases, como da congênita. A droga impede que as enzimas catalisadoras da formação de precursores da parede celular atuem. Com isso, não há restauração da parede, que é submetida continuamente à ação hidrolítica da lisozima produzida pelo organismo. A penicilina é, portanto, bactericida, desde que utilizada em doses e intervalos adequados.

Período de incubação da sífilis

O periodo de incubação na sífilis adquirida, é de cerca de 21 dias a partir do contato sexual infectante. A criança com sífi lis congênita ao nascimento pode já se encontrar gravemente enferma ou com manifestações clínicas menos intensas, ou até aparentemente saudável, vindo a manifestar sinais da doença mais tardiamente, meses ou anos depois, quando seqüelas graves e irreversíveis ter-se-ão instalado.

Transmissão e causas da sífilis

A sífilis é doença transmitida pela via sexual (sífilis adquirida) e verticalmente (sífilis congênita) pela placenta da mãe para o feto. O contato com as lesões contagiantes (cancro duro e lesões secundárias) pelos órgãos genitais é responsável por 95% dos casos de sífilis. Outras formas de transmissão mais raras e com menor interesse epidemiológico são por via indireta (objetos contaminados, tatuagem) e por transfusão sangüínea. O risco de contágio varia de 10% a 60% conforme a maioria dos autores.

Diagnóstico Laboratorial da Sífilis

Na ausência de um método efetivo de cultivo para T. pallidum, processos alternativos para detecção do treponema ou de anticorpos contra o T. pallidum têm sido desenvolvidos. Desta forma, os testes para sífilis acabam se dividindo em duas categorias, aqueles que detectam o microorganismo ou componentes do T. pallidum (testes treponêmicos) e aqueles que detectam anticorpos produzidos em resposta a infecção pelo T. pallidum (testes não treponêmicos).